O cenário da indústria fonográfica foi modificado com a disseminação dos streamings e a música gospel se inova com as mudanças. O editor Lincoln Baena, responsável pela curadoria do segmento na plataforma Deezer, falou ao Pleno.News sobre as possibilidades do digital.

Baena também afirmou que os produtores podem se reinventar e explorar as possibilidades que o streaming oferece, mas que é preciso abertura dos artistas.

Lincoln, como é o trabalho de curadoria do que vai para a plataforma e do que ganha destaque?
A gente tem uma preocupação de dar voz a todo trabalho que é lançado naquela semana. Então a gente tem um lançamento prioritário às terças-feiras e as gravadoras e distribuidoras que lidam com todo o conteúdo dos artistas têm um cronograma desses lançamentos. Editorialmente a gente procura ouvir todas as músicas e o trabalho do editor é colocar cada coisa em seu devido lugar: voz masculina, voz feminina, se é música de adoração, música pop, rock, dueto, enfim. Isso faz toda a diferença porque a experiência do usuário com a plataforma passa a ser mais próxima. Há a preocupação com a busca, isso facilita na busca. Este é um trabalho muito minucioso de edição. A gente se preocupa que a experiência do usuário seja a mais agradável e pessoal possível.

E você também é responsável pelos eventos, como o Deezer Gospel Day. O que você pode dizer sobre a criação desse evento?
O Deezer Gospel Day não surgiu com o intuito de ser uma premiação. A gente fala que ele é uma valorização daquilo que o artista gospel fez durante todo o ano. Não existia distribuição de prêmios. Foi no sentido de facilitar os contatos no segmento que a gente fez o primeiro. A partir do primeiro eu senti que há uma oportunidade de valorização de algo que fosse mais real, no sentido dos dados. Não temos uma maneira de saber qual é, de fato, a música mais ouvida… Então surgiu como uma medição. A Deezer é chamada, carinhosamente, de a casa da música gospel, porque foi a primeira plataforma que decidiu cuidar da música cristã.

O quarto Deezer Gospel Day seria agora, dia 24 de março, no Rio de Janeiro, certo?
Infelizmente a gente adiou por conta disso que o mundo está vivendo com o novo coronavírus, mas estamos apenas jogando um pouco mais para frente. Mas estamos sendo conscientes. A gente fica triste em ter que adiar, ms não é uma determinação que depende única e exclusivamente da Deezer. Mas nesta edição também teremos homenagens, voto popular, aumentamos um pouco as categorias para que o maior número possível de artistas possa ser valorizado pela sua arte. Não posso falar aqui porque deixa de ser novidade, mas tem coisas legais para acontecer. Teremos uma coisa inédita muito legal, muito especial que vai tocar no coração de todo mundo.

Qual é a sua dica para quem já está consolidado no mercado, mas quer se reinventar dentro do streaming e também para aqueles que vão começar uma carreira dentro das plataformas?
Para quem já tem um público, é importante pensar que a chave virou. A gente ainda tem muitos artistas gigantes que ainda não fizeram esta conversão. O público deles ainda está muito saudoso do físico, mas porque o próprio artista não falou para ele “acordar” e que não vai ter mais. Quando ele fizer isso, vai ter uma relevância também no streaming.

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